Perseverar e buscar ajuda especializada são os caminhos para a recuperação

20 de janeiro de 2017 - 13:43

Adicto conta trajetória para deixar as drogas

Lá se vão 24 anos de uma vida em que a droga lhe tirou quase tudo. O paulistano C.A.S.J., hoje com 37 anos, descobriu o álcool aos 12 anos. Um ano depois, passou a consumir maconha. Não demorou muito para conhecer a cocaína e o crack. A curiosidade, o convívio com dependentes e a necessidade de aceitação em grupos sociais impulsionaram o envolvimento com as drogas.

Somente aos 21 anos, o rapaz tomou consciência de que era um adicto. Os anos foram passando. A dependência química não diminuiu, apesar de várias internações com esse objetivo. Em muitas ocasiões, C.A.S.J. se viu perdido, sem controle da vida. Ele chegou a buscar apoio nos Narcóticos Anônimos (NA), mas não estava preparado para aquela ajuda. A dependência seguiu sem controle. Uma mudança para Manaus, no Amazonas, por conta de uma proposta de emprego, só piorou a situação. O acesso às drogas ficou ainda mais fácil. Foram seis meses em que o consumo de entorpecentes destruiu seu trabalho e sua autoestima.

De volta a São Paulo-SP, o rapaz tentou reconstruir sua vida. Mas, a dependência se mostrou mais intensa. C.A.S.J. acumulou dívidas para manter o vício. Até passou a praticar pequenos roubos e foi morar em uma favela paulistana. No íntimo, desejava afastar-se das drogas. Mas, qual o caminho a tomar? Ele não se deixava ajudar.

Em um encontro com sua irmã, surgiu o convite para residir em Fortaleza. Novos ares, perspectivas e amizades poderiam ajudá-lo a deixar as drogas. Não foi bem assim. O drama continuou. Seus pais também mudaram para a capital cearense. Dessa forma, o apoio dos entes queridos ficou mais próximo. Por várias vezes, C.A.S.J. buscou ajuda em comunidades terapêuticas. Contudo, sempre abandonou o tratamento. A dependência não lhe dava trégua.

“A droga faz a gente construir castelos, ilusões. Essa situação dura pouco. Logo, a gente quer mais e mais. Buscamos algo novo que não sabemos o que é”, conta o rapaz, lembrando dos efeitos causados pelas drogas. “Minutos parecem horas, metros parecem quilômetros. São comuns sensações de enorme prazer ou de medo intenso. Tudo dura pouco tempo. Por isso, é comum o uso abusivo das drogas em quantidades cada vez maiores para prolongar os efeitos”, enfatiza.

Graças a novas amizades que fez em Fortaleza, a mãe de C.A.S.J. soube da existência do Centro de Referência sobre Drogas (CRD) da Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas (SPD). Ela convidou o filho a conhecer o equipamento. Ali, receberam a orientação necessária. O paulistano foi avaliado e direcionado para o tratamento adequado. Com ajuda especializada e acompanhamento, concluiu o período de tratamento. Há sete meses, não utiliza nenhuma droga. Agora, ao lado da família e com o apoio de uma companheira, busca retomar vínculos rompidos ao longo dos anos.

IMG 4080“Achei que poderia superar as drogas sozinho. Hoje, sei que a ajuda especializada é fundamental. Aliada à perseverança, possibilita que qualquer um possa superar a dependência. Eu creio na minha cura. Mas essa é uma luta de cada dia, uma construção cotidiana, sempre com o acompanhamento profissional”, relata C.A.S.J.

Essa semana, o rapaz retornou ao CRD para nova avaliação e seguirá com o acompanhamento através de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e de uma das psicólogas do CRD. “Eu persevero. Eu quero minha vida normal de volta”, destaca, sugerindo que pessoas que enfrentam o mesmo problema sigam o seu exemplo e procurem ajuda especializada. “O Centro de Referência abriu novas perspectivas pra mim. Isso pode acontecer também para outras pessoas na batalha para vencer a dependência química”, concluiu.

No CRD, dependentes químicos e seus familiares são acolhidos e orientados sobre prevenção, tratamento e reinserção social e profissional. O atendimento é gratuito, não sendo necessário agendamento. O equipamento funciona no andar térreo da sede da SPD. Atualmente, são realizados mais de 450 atendimentos presenciais/mês.

O primeiro procedimento é a identificação biométrica do usuário, que, posteriormente, é encaminhado para atendimento por psicólogo ou enfermeiro. A partir da identificação do perfil, ocorre o encaminhamento para um dos equipamentos que integram a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), a Rede Sistema Único de Assistência Social (Suas) ou a rede de apoio.

Além do atendimento presencial no CRD, o público também pode obter informações/orientações profissionais sobre drogas através do telefone 0800.2751475. Outra opção disponibilizada ao público pela SPD é o atendimento através de uma unidade móvel, que leva os serviços do CRD para as diversas localidades cearenses.

Serviço:

Centro de Referência sobre Drogas (CRD) da SPD
Endereço: Rua Oto de Alencar, 193, bairro Jacarecanga (defronte à praça do Colégio Liceu do Ceará)
Funcionamento: segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas
Teleatendimento: 0800.2751475

Fernando Brito
Repórter

Daniela Negreiros
Assessora de Comunicação da Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas (SPD)
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