Histórias de Corredores Pra Vida – Parte II

29 de junho de 2018 - 13:31 # # #

Emmanoel Montenegro - Assessoria de Comunicação - (85) 3238.5090
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Projeto da SPD reduz danos e promove os direitos e a inserção nas políticas públicas de saúde da população que faz uso de álcool e outras drogas

Um contêiner instalado na área conhecida por Oitão Preto, junto à Santa Casa da Misericórdia, no Centro de Fortaleza, tem feito a diferença na vida de pessoas em situação de rua ou em outros contextos de vulnerabilidade social, desde outubro de 2015, quando foi lançado o projeto “Corre Pra Vida” da Secretaria Especial de Políticas sobre Drogas (SPD).

Idealizado para reduzir danos e promover os direitos e a inserção nas políticas públicas de saúde da população que faz uso de álcool e outras drogas, o ponto de acolhimento e abordagem da SPD conta com equipe de profissionais interdisciplinares – formada por psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, redutores de danos, motoristas e serviços gerais -, disponíveis aos usuários, para acolher suas demandas, realizar atendimentos psicossociais e fazer encaminhamentos necessários aos serviços de saúde e à rede socioassistencial. Funciona das 8 às 17 horas, de segunda a sexta-feira, e das 8 ao meio-dia, aos sábados, disponibilizando, ainda, sanitário, banho e insumos de higiene e saúde aos usuários.

Alexandro Mendes, 23, saiu do bairro Aerolândia, onde morava, para viver nas ruas já tem algum tempo. Chegou ao Corre pra Vida há cerca de nove meses, após abordagem de uma equipe da SPD, no Centro de Fortaleza, em que foi convidado para conhecer o projeto. “Conheci, gostei do contêiner e todo dia venho tomar o meu banho”, fala Alexandro, que “mora” na Praça José de Alencar há mais de um ano e trabalha nos sinais de trânsito como limpador de para-brisas de carros. Foi no contêiner que ele encontrou apoio psicológico após se separar da mulher. “A forma que eles me acolheram, me deram conselhos. Eu cheguei a um ponto que queria até me matar. Mas, graças a Deus, depois que desabafei com alguém, o meu pensamento mudou totalmente. Eu comecei a pensar diferente”, reparte Alexandro. Ele diz o que considera o melhor no Corre Pra Vida: “Eu acho que é tudo. Outro dia teve cabeleireiro, merenda, brincadeiras. Isso é superbom, porque distrai a gente”.

Marta Maria Leme, 59, destaca o acolhimento por parte da equipe de profissionais atuando no contêiner do Corre pra Vida, que frequenta desde o início do projeto. “Quando eu chego aqui, sou bem recebida pelas assistentes sociais. Todo mundo aqui me trata bem. O Milton cansou de me levar para o hospital.” Natural da capital paulista, Marta sofre de enfermidade grave e mudou para Fortaleza, há muitos anos, por recomendação médica. “O clima aqui pra mim faz bem. Eu amo o Ceará”, conta. Enquanto aguarda receber as chaves da casa que ganhou no programa do governo federal Minha Casa Minha vida, Marta habita a Praça do Ferreira. Em São Paulo, administrava um albergue para moradores de rua, quando descobriu a doença, que a levou ao alcoolismo e às crises de depressão. “Eu ainda sobrevivo, porque eu me esforço, eu tenho amigos aqui, pessoas maravilhosas que me ajudam. Eu venho, converso com as pessoas, eles aqui têm muito amor pela gente. Tudo isso me fortalece”, diz Marta, que depois de receber as chaves do imóvel pretende continuar vindo ao contêiner. “Deixar de visitar a galera aqui eu não vou. Eu vou para a casinha que eu ganhei e quando chegar o final de semana eu venho”, informa.

Pedro Lopes Cardoso, 62, nasceu e se criou no bairro Monte Castelo, mas devido ao álcool, que faz uso há 40 anos, saiu de casa para viver nas ruas. Há bastante tempo ele tem como morada a Praça do Ferreira e frequenta o contêiner do Corre Pra Vida quase todo dia. “É bom levantar cedo e ter um lugar para tomar banho e fazer os outros serviços que a gente precisa”, exprime. No campo profissional, fala que já fez de tudo um pouco. “Toda vida eu gostei de trabalhar, com tudo o que você possa imaginar. Cada coisa eu sei um pouquinho. Pintor, jardineiro, zelador eu me garanto”, diz seu Pedro, que está solteiro e não teve filhos, mas tem uma família enorme. “Tenho 31 irmãos. Já morreram uns 20, eu sou o caçula.” Ele conta que, outro dia, decidiu voltar para casa, sendo acompanhado até lá por parte da equipe do Corre. “Para ver se eles ainda me queriam lá. Fomos eu, o Wesley, a Bárbara, eram umas cinco pessoas no carro. Disseram que eu podia voltar, mas não deu muito certo.” Apesar do álcool e dos desmaios frequentes que sofre, seu Pedro está com boa saúde. “Fiz exame de sangue e o médico disse que a minha saúde ‘tava’ tão boa quanto a de uma criança. Eu não acredito nisso. Ele exagerou, se ele dissesse que eu não ‘tava’ bem, eu acreditaria mais”, brinca. Durante esse tempo que frequenta o contêiner, ele avalia que “o banho e o respeito à gente é o melhor do Corre”.